CDB ou Tesouro Direto: qual rende mais?
É o duelo mais buscado da renda fixa brasileira: CDB ou Tesouro Direto? A resposta curta — "depende" — é verdadeira mas inútil. Este artigo entrega a resposta longa e útil: uma comparação rodada a rodada nos cinco critérios que importam, com simulação em reais no final, para você decidir com números e não com achismo. Se os termos ainda são novos para você, o nosso guia completo de renda fixa é o ponto de partida ideal.
Os competidores, em uma linha cada
Tesouro Direto — você empresta ao governo federal comprando títulos públicos: o Tesouro Selic (pós-fixado), os prefixados e os IPCA+. CDB — você empresta a um banco, que define quanto paga: geralmente um percentual do CDI (pós-fixado), mas também há prefixados e híbridos. Ou seja, os dois oferecem as mesmas três famílias de rentabilidade — o que muda é para quem você empresta e os detalhes ao redor.
Rodada 1: Rentabilidade
Na comparação mais comum — Tesouro Selic contra CDB de 100% do CDI —, o resultado é um empate técnico: a Selic está em 14,25% ao ano e o CDI colado nela, em torno de 14,15% (a relação entre os dois está destrinchada nos nossos artigos sobre a taxa Selic e o CDI).
O desempate aparece nas prateleiras menos óbvias: bancos médios e digitais, para atrair dinheiro, oferecem CDBs de 105%, 110% e até mais do CDI — taxas que o Tesouro, por definição, não paga. É a vantagem potencial do CDB... comprada com prazos mais longos, carência ou o risco de instituições menores. Vencedor da rodada: CDB, com asterisco.
Rodada 2: Segurança
O Tesouro carrega o chamado risco soberano — o menor risco de crédito do país, sem limite de valor: R$ 10 mil ou R$ 10 milhões têm a mesma garantia do emissor que imprime a moeda. O CDB conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC): se o banco quebrar, você recebe até R$ 250 mil por CPF por instituição (com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos).
Na prática, para o investidor comum que respeita os limites do FGC, os dois são muito seguros. Para valores grandes concentrados, o Tesouro leva. Vencedor: empate para a maioria; Tesouro para patrimônios altos.
Rodada 3: Custos e impostos
No imposto, empate perfeito: ambos seguem a tabela regressiva de IR sobre o lucro (22,5% até 180 dias, caindo até 15% após 2 anos) e o IOF nos primeiros 30 dias. Nos custos, uma diferença miúda: o Tesouro cobra a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano — com uma isenção importante: no Tesouro Selic, ela só incide sobre o que exceder R$ 10 mil. CDBs não têm taxa nenhuma. Vencedor: CDB, por pouco.
Rodada 4: Liquidez
Aqui o Tesouro mostra seu músculo: o próprio Tesouro Nacional garante a recompra diária de qualquer título, todos os dias úteis — você sempre consegue vender (atenção: prefixados e IPCA+ pelo preço de mercado do dia, a famosa marcação a mercado). No mundo dos CDBs, a liquidez é cláusula contratual: os de liquidez diária resgatam na hora, mas os que pagam as taxas mais gordas costumam travar o dinheiro até o vencimento, sem porta de saída. Vencedor: Tesouro.
Rodada 5: Acessibilidade e praticidade
O Tesouro aceita aportes a partir de cerca de R$ 30 (frações de título) e tem cardápio padronizado e transparente — fácil de comparar, impossível de cair em pegadinha. Os CDBs partem tipicamente de R$ 100 a R$ 1.000 e formam uma prateleira infinita que muda todo dia, exigindo mais garimpo (e mais atenção às letras miúdas de carência). Vencedor: Tesouro para começar; CDB para quem gosta de garimpar.
A simulação: R$ 10.000 por 2 anos
Números aproximados, mantidas as taxas atuais e já com o IR de 15% (alíquota de quem segura 2 anos) descontado do lucro:
- Tesouro Selic (14,25% a.a.) → cerca de R$ 13.050 brutos → ~R$ 12.590 líquidos (a taxa de custódia sobre o que excede R$ 10 mil tira uns poucos reais a mais);
- CDB 100% do CDI (14,15% a.a.) → cerca de R$ 13.030 brutos → ~R$ 12.575 líquidos;
- CDB 110% do CDI (~15,6% a.a.) → cerca de R$ 13.355 brutos → ~R$ 12.850 líquidos.
Tradução: entre o Tesouro Selic e o CDB de 100% do CDI, a diferença em 2 anos é o preço de uma pizza — irrelevante. O que muda o jogo de verdade é encontrar (com segurança, dentro do FGC) os CDBs acima de 105% do CDI: aí a vantagem passa de R$ 250 no período e cresce com o valor e o prazo.
O veredito honesto
Não é um duelo — é uma dupla. A configuração que os investidores experientes mais repetem: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária para a reserva de emergência (os dois servem igualmente bem; escolha o mais prático na sua corretora), e CDBs de taxa maior, respeitando o limite do FGC por instituição, para o dinheiro com prazo definido que pode ficar travado. O Tesouro ainda guarda um trunfo para o longo prazo — os títulos IPCA+, que garantem ganho acima da inflação — mas esse capítulo merece artigo próprio.
Perguntas frequentes
CDB de banco pequeno pagando 120% do CDI é confiável?
A taxa alta é o preço que o banco menor paga para captar — e o FGC existe exatamente para viabilizar essa troca. A regra de prudência: mantenha o total aplicado por instituição (valor + juros que vão acumular) abaixo dos R$ 250 mil da cobertura, e prefira prazos que você realmente pode cumprir. Feito isso, o risco é administrado.
O Tesouro Direto pode dar prejuízo?
O Tesouro Selic, na prática, não — ele rende positivamente todo dia útil. Prefixados e IPCA+ podem mostrar prejuízo se vendidos antes do vencimento em momento desfavorável, por causa da marcação a mercado; levados até o fim, pagam exatamente o contratado.
Para a reserva de emergência, qual dos dois?
Ambos passam no teste, desde que na versão certa: Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária de banco sólido pagando ao redor de 100% do CDI. Desempate por comodidade: o que for mais simples de aplicar e resgatar no aplicativo que você já usa — porque reserva boa é reserva sem fricção.
Próximos capítulos desta série de comparativos: o passo a passo completo do Tesouro Direto, o raio-X das LCI e LCA isentas de IR, e o acerto de contas definitivo com a poupança. Siga pela seção de renda fixa.
📌 Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento. Estude, avalie seu perfil e invista com responsabilidade.